Quarta-feira, 15 de Julho de 2009
"E as plantas?"
"Na realidade, eu não conheço nenhum vegano que não tenha ouvido essa pergunta ao menos uma vez, e a maioria de nós já a ouviu muitas vezes.
Claro que ninguém que faz tal pergunta realmente acha que não podemos distinguir entre, digamos, uma galinha e um maço de alface. Isto é, se no próximo jantar você cortar um maço de alface na frente dos seus convidados, eles terão uma reação diferente daquela que teriam se você fosse cortar uma galinha viva. Se, ao caminhar pelo seu jardim, eu pisar em uma flor de propósito, você poderá, com toda razão, ficar irritado comigo, mas, se eu chutasse de propósito seu cachorro, você ficaria irritado comigo de um modo diferente. Ninguém considera esses dois atos equivalentes. Todo mundo reconhece que há uma importante diferença entre a planta e o cachorro, diferença essa que torna o ato de chutar o cachorro mais grave, no plano moral, do que o ato de pisar em uma flor.
As plantas são diferentes, no plano qualitativo, dos animais humanos e dos animais não-humanos sencientes, pois as plantas com certeza são seres vivos, mas não são sencientes. As plantas não têm interesses. Não há nada que a planta deseje, ou queira, ou prefira, porque não há nenhuma mente, ali, para se incumbir de tais atividades cognitivas. Quando dizemos que uma planta “precisa” de água ou “quer” água, não estamos afirmando nada sobre o estado mental da planta, assim como não estamos afirmando nada sobre o estado mental do motor de um carro quando dizemos que ele “precisa” de óleo ou “quer” óleo. Pode ser do meu interesse pôr óleo no meu carro. Mas não é do interesse do meu carro: meu carro não tem interesses.
Uma planta pode reagir à luz do sol e a outros estímulos, mas isso não significa que a planta seja senciente. Se eu fizer uma corrente elétrica passar por um fio ligado a uma campainha, a campainha toca. Mas isso não significa que a campainha seja senciente. As plantas não têm sistema nervoso, receptores benzodiazepínicos, nem qualquer outra característica que associamos à senciência. E tudo isso faz sentido em termos científicos. Por que as plantas desenvolveriam a capacidade de ser sencientes, se elas não podem fazer nada para reagir a um ato que as danifica? Se você encostar uma chama em uma planta, a planta não pode fugir; ela continua exatamente onde está e queima. Mas se você encostasse uma chama em um cachorro, o cachorro faria exatamente o que você faria—gritaria de dor e tentaria fugir da chama. A senciência é uma característica que evoluiu em certos seres para capacitá-los a sobreviver escapando de um estímulo nocivo. A senciência não seria de nenhuma utilidade para uma planta; as plantas não podem “escapar”.
Eu não estou querendo dizer que não podemos ter obrigações morais concernentes às plantas, mas sim que não podemos ter obrigações morais para com as plantas. Isto é, podemos ter a obrigação moral de não cortar uma árvore, mas essa não é uma obrigação moral que temos para com a árvore. A árvore não é o tipo de entidade para com o qual podemos ter obrigações morais. Podemos ter uma obrigação moral, isso sim, para com todas as criaturas sencientes que vivem na árvore ou dependem dela para sua sobrevivência. Podemos ter a obrigação moral para com os outros animais humanos e não-humanos que habitam o planeta de não derrubar árvores de modo irresponsável. Mas não podemos ter quaisquer obrigações morais para com a árvore; podemos ter obrigações morais apenas para com os seres sencientes, e a árvore não é senciente nem tem interesses. Não há nada que a árvore prefira, queira ou deseje. A árvore não é o tipo de entidade que se importa com o que fazemos a ela. O esquilo e os pássaros que vivem na árvore certamente têm interesse em que não cortemos a árvore, mas a árvore não. Pode ser errado, no plano moral, cortar uma árvore irresponsavelmente, mas esse é um ato qualitativamente diferente do ato de atirar em um veado, por exemplo.
Falar sobre os “direitos” das árvores, como algumas pessoas fazem, é um convite a equiparar árvores a animais não-humanos, e isso só pode funcionar em detrimento dos animais. De fato, é comum ouvirmos os ambientalistas falarem sobre nossa responsabilidade no gerenciamento dos nossos recursos naturais e incluírem os animais não-humanos entre os “recursos” a serem gerenciados. Isso é um problema para aqueles de nós que não vêem os animais não-humanos como “recursos” para nosso uso. As árvores e as outras plantas são recursos que podemos usar. Temos a obrigação de usar tais recursos com sabedoria, mas essa é uma obrigação que temos apenas para com outras pessoas, sejam elas humanas ou não-humanas.
Finalmente, uma variante da pergunta sobre as plantas é esta: “e o insetos, eles são sencientes?”.
Eu não tenho conhecimento de ninguém que de fato saiba a resposta a essa questão. Eu certamente concedo aos insetos o benefício da dúvida. Não mato insetos na minha casa e tento nunca pisar neles quando estou andando. No caso desses animais, talvez seja difícil traçar o limite, mas isso não quer dizer que um limite não possa ser traçado, e com clareza, na maioria das vezes. A cada ano, só nos EUA, matamos e comemos pelo menos dez bilhões de animais terrestres. Esse número não inclui os animais marinhos que também matamos e comemos. Talvez haja uma dúvida sobre os moluscos serem sencientes ou não, mas não há a menor dúvida de que todas as vacas, galinhas, porcos, perus, peixes, etc. são sencientes. Os animais não-humanos dos quais tiramos o leite e os ovos são, indubitavelmente, sencientes.
O fato de não sabermos, ao certo, se os insetos são sencientes não significa que temos alguma dúvida quanto à senciência destes outros animais não-humanos; não temos. E é claro que é um absurdo dizer que, já que não sabemos, ao certo, se os insetos são sencientes, então não podemos avaliar a moralidade de comer a carne dos não-humanos que, temos certeza, são sencientes, ou de usar os produtos provenientes desses não-humanos, ou de trazer esses não-humanos domesticados à existência para o propósito de usá-los como nossos “recursos”."
Texto por Gary L. Francione
Gary Francione é professor de Direito e Filosofia na Rutgers University, EUA. Desenvolveu a teoria de direitos animais abolicionista.
http://www.abolitionistapproach.com/
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Terça-feira, 7 de Julho de 2009
O que um Vegetariano e Vegano comem?
Algumas pessoas se perguntam: se vegetariano não come carnes brancas e vermelhas e derivados das mesmas, mas ainda se alimenta de laticínio, ovo e derivados dos mesmos, imagina o que um Vegano come? Nada?
Para muitos, é muito difícil e quase impossível não se alimentar mais de carne. É algo que foge dos padrões da sociedade e realidade nos dias de hoje. Só que ninguém parou para pensar que, enquantos uns se alimentam de animais, outros se alimentam de alimentos saudáveis e nutritivos. Sem a necessidade de matança, de sangue, de sofrimento...
Quando alteramos a nossa dieta, podemos levar algum tempo a explorar os novos alimentos e a criar uma rotina. As opções são inúmeras – continuando a experimentar descobriremos as nossas preferencias.
Em geral encontram-se produtos vegetarianos e até veganos à venda nos supermercados e hipermercados e nas lojas de produtos naturais e dietéticos. Nos restaurantes de comida Chinesa, Indiana, Italiana, Mexicana, e outros restaurantes étnicos, bem como algumas cadeias internacionais como a Pizza Hut, existem opções vegetarianas – basta perguntar!
Pequeno-almoço
Panquecas
Iogurte de soja
Batido de fruta
Torradas com compota
Flocos de aveia e outro tipo de flocos cozinhados
Cereais/Muesli com leite vegetal
Almoço/Jantar
Cachorro vegetariano
Tempeh assado ou sanduíche de tofu
Hambúrguer de soja
Seitan guisado
Crepes de feijão
Lasanha de tofu
Espaguete com molho de tomate
Sopa de Legumes
Tofu, tempeh, ou seitan salteados
Batatas assadas, fritas ou puré
Lanche/Sobremesa
Tarte, biscoitos, ou gelado sem lacticínios
Passas de uva, figos, ou alperces secos
Amendoins, amêndoas, ou nozes ; banana, maçã, ou laranja
Pipocas
É possível continuar a preparar os nossos pratos favoritos e evitar produtos de origem animal fazendo simples substituições:
Lacticínios
Leite, queijo, natas, iogurtes, e sobremesas de soja, arroz, aveia, ou frutos secos. A levedura de cerveja imprime um sabor a queijo aos alimentos. Substituir manteiga por margarina.
Ovos
Nas receitas de pastelaria, podem ser utilizados os produtos de substituição vegetais em pó existentes no mercado. Um ovo poderá também ser substituído por meia banana, por uma colher de chá bem cheia de farinha de soja ou ainda por amido de milho acrescido de duas colheres de sopa de água.
Carne
A proteína de soja em grânulos, nacos ou “bifes”, o seitan, o chouriço, as salsichas de soja e ainda os hamburgueres vegetais imitam a carne de forma saudável.
Jesus pregou: “Porque tive fome e destes-Me de comer... Sempre que o fizestes a um destes meus irmãos, mesmo dos mais pequeninos, a Mim o fizestes” (Mateus 25:35,40). Contudo, enquanto dezenas de milhões de pessoas morrem anualmente de doenças relacionadas com a fome, e cerca de mil milhões sofrem de malnutrição, 37% dos cereais colhidos no mundo são utilizados para alimentar animais criados para o abate. Nos Estados Unidos a percentagem é de 66%.
A transformação dos cereais em carne desperdiça até 90% das proteínas, 96% das calorias, e toda a fibra. Como geralmente são necessários bastantes mais cereais para alimentar quem come carne, o consumo de carne a nível mundial aumenta grandemente a procura de cereais. À medida que a procura aumenta, aumentam também os custos, impossibilitando progressivamente os pobres de comprar qualquer tipo de alimento. É irónico que os vegetarianos, frequentemente acusados de se preocuparem mais com os animais do que com os humanos, contribuam para ajudar a alimentar os humanos.
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Sábado, 20 de Dezembro de 2008
POR QUE LUTAR POR JAULAS VAZIAS?
Nos últimos milhares de anos, a história do planeta pode ser contada a partir da escravização das espécies não humanas pelos humanos. Poderíamos dizer também que a história tem se construído pela dominação do forte sobre o indefeso, e isso mesmo internamente à espécie humana, tanto é que o fenômeno da escravidão aconteceu e acontece em diferentes países, refletindo a mesma lógica. Entretanto, a evolução dos aspectos morais fez o homem reconhecer que essa possibilidade natural - a supremacia do forte sobre o fraco – não se sustentava do ponto de vista ético. Pelo contrário, a ética tratou de apontar ao homem a necessidade de proteger os seres mais vulneráveis: idosos, crianças, doentes, dentro do princípio da tutela do fraco. O mesmo ainda não se estendeu à consideração das espécies mais fracas. Se a dominação das espécies mais fracas está justificada pelo princípio do estado de natureza em que o forte domina o fraco, não deveria estar na égide da racionalidade e moralidade humana. Alegar o estado de natureza nos levaria a re-adotar uma série de hábitos e de visões que fomos abandonando pelo uso da razão e da ética. O homem, a despeito disso, segue explorando os animais.
Os defensores dos direitos animais (DDAs) costumam ser abordados e forçados a justificar sua defesa de espécies “inferiores”, quando o opressor é que deveria se justificar. Cabe perguntarmos por que razão ciência, religião e cidadãos pacatos, pobres e ricos, todos se unem em torno de um ponto comum: a exploração animal? Por que ainda se matam animais para comer, havendo alternativas alimentares, saudáveis, ecológicas e econômicas? Por que ainda se caçam animais, havendo tantas formas de lazer e até reproduções da prática de caçar em meios tecnológicos? Por se mantêm animais em gaiolas, quando se pode adornar uma casa com quadros e esculturas e ouvir os cantos em aparelhos de som? Por que cientistas não buscam alternativas ao uso de animais em pesquisas? Quando ciência e religião ficam tão próximas que não sabemos quem é mais fundamentalista, temos aí um grave problema. Nem todo progresso é ético, nem todo progresso eleva. Contra a ética, nenhum progresso se justifica.
O ano de 2008, na contramão da escravização animal, consolida a luta pelos seus direitos, defendendo algo maior do que o bem estar animal, a sua definitiva libertação. Quando Tom Regan escreve o livro Jaulas Vazias, está defendendo a idéia da libertação animal e repudiando o chamado bem-estarismo, pelo qual alguns protetores de animais preconizam melhores tratamentos, aceitando, porém, a idéia da escravidão. Algo como um senhor de escravos generoso. O abolicionismo repudia qualquer forma de escravidão, e alguns teóricos do abolicionismo chegam a atestar que o bem-estarismo consolida e protela a escravidão animal eternamente. Assim, Porto Alegre sediará no próximo dia 13 mais uma edição do Dia Internacional dos Direitos Animais, sob o tema Não Queremos Jaulas Maiores, Queremos Jaulas Vazias. "
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Domingo, 26 de Outubro de 2008
Espetadas de Seitan e Legumes
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Fonte de pesquisa - Wikipédia
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Quinta-feira, 23 de Outubro de 2008
Churrasco Vegetariano - Sojasco
Receita para 4-5 pessoas (preparar 1 dia antes)
500 gramas de pts (proteína texturizada de soja) clara ou escura
1 pimentão vermelho cortado um pouco maior que a pts
1° Passo - em um recipiente grande, colocar toda pts em seguida jogar água quente +/- 1 Litro - acrescentar
2° Passo - Adicionar os demais ingredientes - cebola, alho, 10 colheres de sopa de vinagre, 2 caldos em pó de legumes
Se possível, só monte os espetinhos depois de deixar o tempero por pelo menos24 horas. Ao montar, misture mais 1 vez para o tempero aderir bem à pts.

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Ah, o verão!
O Vegetarianismo em Pauta esteve ausente por alguns dias, mas é claro que não deixaríamos nossos(as) queridos(as) leitores(as) sem um post que mereça tanta espera, não é mesmo?!
O horário de verão deste ano começou no dia 19 de outubro nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país. Lembrando que, nos aproximamos da estação mais desejada e gostosa do ano: O VERÃO! Ah, o verão! Uma hora a mais para acordarmos, uma hora a menos para dormirmos. Mas tem lá o seu lado bom ... contaremos os dias em que chegaremos às férias! O Verão lembra a praia, que lembra o sol, que lembra o calor, que lembra áquela bebida gelada, que lembra COMER ... que para alguns - não vegetarianos - lembram o churrasco, MUITO churrasco! É sábado, é domingo ... tem até sexta-feira à noite, o churrasco!
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